sábado, 18 de abril de 2015

Paixão

 



Peguei-me como uma criança que escuta um assunto que não deveria ouvir.
No canto da porta, apenas um olho para observar a janela do passado.

Estava lá eu, correndo atrás do que acreditava amar.
Mudando de crenças a cada primavera.

Parece desespero não encontrar algo sólido.
Aquele "eu" do passado não me parece familiar.

Quantos personagens preciso viver?

Não há nada sólido, senão a paixão com que vivi e tenho vivido.
Paixão que é sofrimento puro, pathos, mas razão de orgulho.

Nunca me foram tão sincero quando me chamaram de passional.
Será um elogio ou uma ofensa?

Tanta tentativa de se encontrar, mas quem disse que estou perdido?
Foda-se.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Memórias de um tempo que não vivi

 


O primeiro instante me deixou sem ar. A dúvida pairava por dois dias angustiantes. Tomei a atitude. Perguntei o que queria comigo.

Engasguei com saliva. Meu mundo, construído sobre tantos conceitos e dogmas, rompeu em milhares de pedaços. O véu que cobria meu universo interior rasgou-se. Havia encontrado o que chamam de "Amor". Acho.

Estava cheio de vida naquele inverno misterioso de julho de 2012. Renasci ao calor dos seus beijos e da intensidade da sua paixão. Estava morto até então, cantarolando meu funeral, sem imaginar que outro mundo era possível. Tanta vida tornou os dias mais coloridos e os sons mais nítidos. Nunca havia parado pra ouvir com atenção os batimentos cardíacos. Vida.

Imergi numa nova visão sobre o que sempre vi. Amélie Poulain me guiou para uns hábitos levemente bobos. O mais belo por do sol vi ao lado deste amor. Ainda recordo de alguns assuntos que costumávamos compartilhar nas madrugadas frias, com coqueiros e a luz da lua compondo o cenário pela janela aberta.

Uma camisa de praia. Uma foto 3x4. Um cenário nublado. Uma amiga que se tornou minha amiga também. Um doce caseiro. Uma canção da Clarice. Uma fita vermelha. Uma tragédia.

 "Nem vi você chegar, foi como ser feliz de novo".
Também não vi você sair. Apenas aconteceu. 

Três meses de dor. Um ano depois, memórias nostálgicas e lembranças desfocadas, incerteza de que tudo isto foi real, como um sonho que você jura ter acontecido e ninguém acreditará.

Quem sabe o amor ainda está ali, quem sabe aquelas promessas não foram em vão, quem sabe o destino esteja apenas nos pregando uma sádica peça. Talvez eu esteja enganado.

Rodrigo, anos depois, sem teu semblante, sobram apenas memórias de um tempo que não vivi.

Olimpos Particulares

 



Sobre as planícies de todas as nações
Estendem-se Olimpos Particulares.
Os antigos jamais sonhariam ser possível tal benção.
Prometheus roubou para nós o fogo dos deuses
Nós lhes roubamos sua própria divindade.

Há um preço, sempre há.
Nos Olimpos Particulares se cultua a humanidade, mas se odeia o outro.
A natureza e as máquinas foram obrigadas a prostrar-se.
Para sempre, nesta Apoteose, se gozará de tais benefícios,
As custas do sofrimento de outros indivíduos, iludidos que são deuses

Esqueceram o processo e o tempo, estes foram abolidos, expulsos.
O imperador deste autoritário e bizarro governo é o imediato.

Sacrifícios existem, como em qualquer cultura pagã.
Porém, tais humanos são seu próprio sacrifício, altar e dádiva.
Não sentem, não se importam, não medem as consequências, não amam.
São eternamente escravos de sua imortalidade, conquistada com duro esforço.

Todavia, o que aconteceu com os efêmeros humanos?
Aqueles que não permitiram a si mesmos tal condenação?
Estes vivem hoje no Olimpo, situado sobre uma montanha de díficil acesso.
Sim, o verdadeiro, qual foi habitado pelos doze antigos deuses.

Lá, amam intensamente, embora o isolamento lhes seja um espinho na carne
Descobriram a transcendência de sua humanidade em meio as ruínas
Entenderam filósofos que taxaram de loucos durante toda sua existência
Não encontraram a felicidade, pous tal não existe,
senão apenas como ilusão nos Olimpos Particulares

Encontraram um tesouro mais sublime: a Beleza na sua própria miséria e condição
Quem diria, que chegaria o dia, em que seriam os deuses a nos invejar.

Assim Uivou Leão Alado

Tédio

 


Uma ressaca de domingo cura qualquer desilusão. 
Não o álcool, mas o que vem depois.
Durante, apenas reclamações de cousas óbvias.
Sempre o mesmo ciclo, sempre as mesmas reações.

Relações terminam e recomeçam todos os dias.
Personas machucam propositalmente e amam sem querer.
Todos sabem qual o resultado das discussões que se envolvem.
Tão certo quanto um divórcio da Gretchen.

Mas o que é feito para olhar além da mesmice?
"Evitar, por que evitar?", disse o incauto. 
Se eu soubesse o que incauto significa,
Isto seria bem mais emocionante que a repetição destes ciclos sem fim.

Treinei-me para não me preocupar com tudo e todos.
Encontrei alguma graça no tédio.

Assim Uivou Leão Alado

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O Grande Insight

 



Morro do Leão Uivante. Uma paródia perfeita do "Morro dos Ventos Uivantes".

Não era isto que na noite de um sábado qualquer, em 2014, pensávamos eu e meu amigo Edward. No lugar mais belo da cidade de Medianeira, chamado por alguns de Morro do Papel Higiênico (prefiro Mirante), sob o efeito da vodka, ambos vimos um interessante Leão nas sombras de uma árvore, uivando. 

Leões não uivam, dizem os fatos. Devo dizer que sou céptico quanto aos fatos. Portanto, meu leão não ruge porra nenhuma, ele uiva. 

Aforismo bacana para um jornalismo ao modelo de Günter Wallraff. O uivo é desagradável aos ouvidos humanos, geralmente produzido por um canino solitário, que procura encontrar outros da matilha. Leões alados são raros, uivam para encontrar outros raros leões alados.

Além de uivar, ele tem asas. É livre!

As lendas humanas mais verdadeiras e menos verdadeiras sobre a Verdade. Histórias sobre eu, sobre você, sobre mafagafos e medusas. É sobre possibilitar novos ideais mesmo quando parecem impossíveis. É sobre paradoxos.

O Leão Alado sou eu em plenitude. O Leão Alado são vocês de alguma forma. O Leão Alado uiva histórias de sua época, entrelaça com as do futuro e do passado. 

Não são relatos históricos para serem lembrados no século XXX, nem contos da região oeste do Paraná, por mais que tal pano de fundo recheado de araucárias não será menosprezado. 

É sobre os olhos reluzentes de almas criativas que decidiram se encarnar por aqui. O Leão Alado uiva os sentimentos ocultos de amigos e desconhecidos que talvez não serão lembrados pela injusta história.

Ao invés de ficar listando mil e um talentos (suspeitos) numa tentativa de se mostrar como uma vitrine ao mundo guiado por relações comerciais, apenas deixo o mistério. Que significa Leão Alado: muitas cousas e também nada. É inspiração e também não é.

Aqui começa a saga do Leão Alado. O Grande Insight na necessidade de tornar eterno e perpétuo as experiências inaudíveis. Tal como Tchaikovsky tornou eterno momentos especiais de desconhecidos, quando compôs sinfonias com o assobio de jardineiros. 

Nomes abstractos. Realidade viva.

O Leão Alado é mais melhor do que os hiperbóreos, que o ÜberMensch, que Apoteoses baratas e falsificadas compradas em Ciudad del Este. O Leão Alado É. Somente isto, Ele É.

Assim Uivou Leão Alado